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Créditos:

Um cais e um barco
Que leve insensatez a me tirar à consciência de uma realidade ilusória. Sua embarcação atracou cheia de promessas, juramentos. Esqueceu-se que o tempo corrói a mais rochosa palavra em um porto, até mesmo aquele onde se atraca a segurança, a fidelidade. Um barco por si só não se faz condição para ali descansar...
Um barco precisa deixar o que carrega em outros portos, dar voltas, estar longe e estar perto, ficar à deriva.
Pois sim, grande embarcação, há de chegar o dia de parar, encontrar o dito porto seguro, desejado e ambicionado por tantos, pelos grandes e pelos pequenos.
Pôr os pés em solo seguro, saber que nada ficará em lugar nenhum, no meio do nada. È preciso voltar, recarregar, mas é preciso também saber o momento de parar. Atracar no destino que acredite ser seguro e completo. Deixar a volta pelos mares apenas em lindas lembranças. Agora é a hora de reconhecer o porto de escolha. E fazer reparos onde o tempo acabou por destruir uma linda proa, mas não agrediu a engrenagem.
Mas nada de mágoa, o tempo tem disso... Somos fisgados por ele, e se não soubermos conduzir nossas embarcações, assim como nossas vidas, ele age por si próprio. Pode unir, integrar, colar, mas pode destruir, dilacerar, fragmentar e perder...
Ah... perder... tarefa árdua essa... deixar no mar ou em outro cais o que de melhor o referido tempo ajudou a formar, um grande quebra-cabeça, e peças atreladas aos pensamentos.
Refaço minha embarcação em busca dessas minúsculas peças, pois tive a percepção de que a partir delas uma imagem real poderá se definir.
E em busca de ti... imagem minha, luz, sombra, paz, amor e desejo, parto hoje, eu e minha pequena embarcação, com uma vela quebrada, à sofrer os perigos de um mar cheio de tormentas, a buscar-te para meu cais. Pobre cais, hoje sozinho, sei que pequeno, desfeito, ferido, muito pelo dito “tempo”, mas nesse pequeno lugarejo, nesse simples espaço, haverá de caber um amor refeito, atracado no mesmo porto que antes lhe pertenceu.
Não deixemos nossas embarcações perdidas em oceanos de dúvidas, onde o tempo poderá fazer com que esqueçamos haver, ainda depois de tantos temporais, portos seguros e firmes à espera da volta para casa...